PatoBranco.com

Mensagens falsas ou ofensivas são maioria nas investigações da polícia

Publicado em: 11/07/2017 07:59

Fotos e histórias que você recebe via whatsapp e repassa sem checar para algum grupo podem dar mais dor de cabeça do que você imagina. Segundo o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil do Paraná, informações falsas ou mensagens que comprometem a reputação de terceiros já respondem por mais da metade dos procedimentos da unidade e superaram o número de casos mais graves, como investigações de pedofilia ou estelionato.

Nas últimas semanas, algumas "notícias" falsas percorreram grupos de whatsapp: jovens que apedrejavam carros no bairro Bacacheri a fim de assaltar motoristas; que um grupo sequestrava idosos no Jardim Botânico; outra mensagem, com a foto de uma mulher, dizia que ela raptava crianças no interior. Casos como esses atrapalham o trabalho da polícia e podem levar o autor da mensagem ou quem a compartilha a ser processado.

De acordo com o delegado-chefe do Nuciber, Demétrius Gonzaga de Oliveira, dos cerca de 11,5 mil casos investigados pela unidade no momento, pelo menos 6 mil dizem respeito a histórias como essas e envolvem falsa comunicação de crime, calúnia, injúria ou difamação. Investigações sobre crimes de maior potencial ofensivo, como estelionato, pedofilia ou associação criminosa, somam aproximadamente 5,5 mil.

"Percebemos uma inversão. Nos últimos dez anos, sempre houve mais crimes contra o patrimônio, estelionatos e desvios de dinheiro. Os crimes de menor potencial eram cerca de 30%. Hoje estão passando, por causa dessas brincadeiras", afirma. "Com a internet disponibilizada de forma aberta, serviços a custo baixo e aparelhos acessíveis, as pessoas começam a brincar achando que estão invisíveis".

Demétrius diz que, em grande parte desses casos, quem se apresenta como vítima acaba como investigado. "Em muitas investigações, a pessoa que se dizia vítima era criminosa", afirma. "Isso gera consequências graves, pois a autoridade deve adotar providências".

Dicas

"Fake news"

As "fake news", ou notícias falsas, estão em alta. Há sites especializados em notícias falsas, que buscam apenas audiência. Não se engane e não compartilhe qualquer coisa só porque o aspecto do site é o de um jornal sério.

Na dúvida, fique quieto

Fotos de pessoas com mensagens que atribuem crimes a elas não devem ser compartilhadas. Se você não tem certeza da informação e não pode comprová-la, não compartilhe. Principalmente quando envolve a imagem de outra pessoa.

Feitiço contra o feiticeiro

Você pode até ter boas intenções e achar que precisa alertar as pessoas, mas compartilhar informações não comprovadas pode dar problema. Se você passa adiante a informação de que um assaltante está uma esquina, por exemplo, pode atingir a imagem de um inocente. Ou colocar a vida dessa pessoa em risco. A investigação pode se voltar contra você.

Estelionato

A Sanepar já foi alvo de "fake news": recentemente, uma mensagem que circulou no Facebook e Whatsapp dizia que a companhia estava promovendo um concurso. O objetivo era vender apostilas e divulgar cursos para concursos públicos. A assessoria da Sanepar agiu rapidamente para desmentir a informação nos mesmos veículos.

6 mil inquéritos que tramitam atualmente no Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil do Paraná, dizem respeito a crimes como injúria, calúnia, difamação ou falsa comunicação de crime. Crimes como pedofilia e estelionato somam cerca de 5,5 mil.



Tragédia e paranoia

Marcos José Zablonsky, professor da Escola de Comunicação e Artes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, lembra de um caso ocorrido em 2014, no Garujá (SP): após moradores compartilharem uma mensagem sobre uma "bruxa" que estaria sequestrando crianças, uma mulher foi brutalmente espancada. A mulher, de 33 anos, que não tinha nada a ver com a história, não resistiu aos ferimentos e morreu dois dias depois.

"O Whatsapp não tem um filtro, basta criar um grupo ou ser convidado. Normalmente há mensagens corriqueiras, mas percebemos que há um uso de forma a criar angústia, criar situações de boataria", afirma o pesquisador. "Para quem não está familiarizado com isso, tudo que é compartilhado passa a ser quase uma verdade. Em algumas situações pode haver problemas sérios". Ele lembra ainda os grupos de segurança criados por moradores de uma determinada rua ou região.

"O morador vê uma pessoa parada na rua e já compartilha no grupo dizendo que é suspeito. Isso pode gerar uma paranoia".

Zablonsky atribui esses casos ao fato de o Whatsapp ser uma ferramenta relativamente nova, mas lembra que histórias "viralizaram" em Curitiba mesmo antes de a internet surgir. Um exemplo foi a lenda da "loira fantasma", que supostamente aparecia dentro de táxis na cidade. "Hoje temos o Whatsapp como ferramenta, a banda larga está difundida e a conexão é cada vez mais barata".

Fonte: Bem Paraná
Foto: Franklin de Freitas

Foto

Notícias Relacionadas