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A tecnologia e as crianças: O segredo está em encontrar o equilíbrio

Publicado em: 12/07/2017 13:45

Estava em uma festinha junina, dia desses, conversando com uma amiga quando o filhinho dela de quatro anos chegou e disse algo no ouvido da mãe. Ela disse não, e ele continuou insistindo, fazendo birra, até que a moça tirou da bolsa o celular e deu ao menino. Meio sem jeito, ela me disse: É que baixamos uns joguinhos pra ele e agora é sempre assim. O guri tá viciado. Todas as outras crianças brincavam animadas no pátio, mas o filho da minha amiga sentou-se num canto e ficou lá, brincando sozinho no celular. E ele só tem quatro anos. Como será no futuro?

Sei que os dispositivos digitais (TV, vídeo game, computador, celular) fazem parte da rotina das crianças e adolescentes, e que isso não tem volta. Mas a influência da tecnologia, inclusive em bebês de um ano de idade, como já vi mais de uma vez, tem modificado (e nem sempre para melhor) os tipos de brincadeiras e as formas de aprendizado destas novas gerações. Muitos pais, professores e especialistas de várias áreas têm se debruçado sobre este assunto e se perguntado se essas práticas digitais podem gerar algum "risco" para a infância, e também como podemos saber qual o limite de uso destes aparelhos.

A psicóloga Rita Calegari acredita que o recurso digital é valioso e complementa a educação, mas não é a educação em si, e por isso os pais devem usar estes dispositivos complementando-os com outros, em que a totalidade de habilidades da criança seja estimulada. Já do ponto de vista físico, o ortopedista Leandro Gregorut alerta que o uso indiscriminado dos eletrônicos faz com que as crianças deixem de desenvolver habilidades neuromotoras, tais como equilíbrio, força, percepção espacial do seu próprio corpo, noção de tempo, espaço, velocidade, agilidade física, e habilidades sócio-cognitivas.

Para saber se seu filho está dedicando tempo demais à tecnologia, preste atenção em alguns sinais: baixa interação social e isolamento, não aceitação de novas propostas de aprendizado e recusa em participar de atividades sociais podem ser indicativos de que algo não vai bem. As sequelas podem não ser apenas comportamentais, mas também físicas, diz o ortopedista. A postura da criança fica alterada, com ombros para frente, coluna curvada, fraqueza para realizar pequenas atividades do dia a dia e até falta de fôlego. A saída, então, é encontrar um equilíbrio sem precisar proibir totalmente o uso dos aparelhos digitais, estabelecendo regras (limites e horários) e monitorando para que elas sejam aplicadas e cumpridas.

Fonte: Viviane Bevilacqua - Diário Catarinense
Foto: Felix Zucco/Agência

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