PatoBranco.com

Paraná é o 2º Estado do País em acidentes com caminhões

Publicado em: 13/07/2017 08:47

Por pouco uma tragédia não foi registrada nesta quarta-feira (12) em Curitiba: o motorista de um caminhão carregado com areia perdeu o controle do veículo, derrubou um muro, capotou e invadiu duas casas no bairro Pilarzinho.

O condutor foi encaminhado ao hospital com ferimentos leves e ninguém mais se feriu. A imagem chamou a atenção nas redes sociais, mas não chega a ser uma raridade: acidentes com caminhões são uma rotina na cidade e no Paraná, o segundo com o maior número de ocorrências deste tipo no país.

Segundo o Sistema Digital de Dados Operacionais do Corpo de Bombeiros do Paraná (SYSBM-CCB), entre 1º de janeiro e 12 de julho deste ano foram registrados 133 acidentes com caminhões em Curitiba, com 142 feridos e cinco mortes. Os números são superiores aos registrados no mesmo período do ano passado: de 1º de janeiro a 12 de julho de 2016, foram 129 acidentes, 139 feridos e duas mortes.

Já o Atlas da Acidentalidade do Trânsito Brasileiro, desenvolvido pela montadora Volvo, coloca o Paraná como a segunda unidade da Federação mais perigosa quando o assunto são caminhões. No ano passado, foram 3.190 acidentes em todo o Estado, com 1.524 feridos leves, 582 feridos graves e 260 mortes. O Paraná só perde para Minas Gerais, que em 2016 teve 4.574 acidentes, 2.777 feridos leves, 956 feridos graves e 459 mortes. O terceiro é Santa Catarina, 2.557 acidentes no ano passado.

De acordo com o levantamento, só ano passado foram registrados 96.358 acidentes com caminhões em todo o país (cerca de 263 por dia), com 216 mil pessoas envolvidas, 65,2 mil feridos leves, 21,4 mil feridos graves e 6,3 mil mortes. Em nove anos, entre 2007 e 2016, foram registradas 76,7 mil mortes ocasionadas por acidentes com esse tipo de veículo nas rodovias do país.

Risco constante nas rodovias brasileiras

Entre as causas para esses números, afirmam especialistas e autoridades, estão o cansaço dos motoristas de caminhão, que muitas vezes fazem jornadas extenuantes; a imprudência; falta de manutenção adequada dos veículos; má formação dos condutores; e problemas estruturais de ruas e rodovias. Além disso, o país tem uma dependência do transporte rodoviário de cargas por não utilizar a contento outros modais, como ferrovias ou o transporte fluvial.

"Não temos dados para dizer que a frota de caminhões do Brasil é maior que a de outros países, mas é a mais perigosas por algumas razões. A primeira é que não temos motoristas tão bem preparados quanto em outros países", afirma o consultor de segurança em trânsito J. Pedro Correa, que participa da elaboração do Atlas da Acidentalidade do Trânsito Brasileiro.

"Depois tem a infraestrutura viária, que é muito pobre, com estradas em péssimas condições. O terceiro fator é a própria frota. A idade média da nossa frota rodante é avançada e os veículos têm poucos acessórios de segurança. Não tem fiscalização, não tem treinamento e a infraestrutura é sofrível. A situação é preocupante".

Fonte: Bem Paraná
Foto: Franklin de Freitas

Foto

Notícias Relacionadas