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Campanha eleitoral vai invadir o seu telefone e suas redes sociais

Publicado em: 30/10/2017 16:29

A propaganda eleitoral de 2018 vai invadir de vez seu Facebook e também seu telefone. É que a reforma política aprovada pelo Congresso liberou as chamadas publicações patrocinadas ou impulsionadas nas redes sociais e também o famigerado telemarketing. E tudo pago com dinheiro público, já que como o Supremo Tribunal Federal proibiu o financiamento privado, os parlamentares aumentaram os recursos do fundo partidário e criaram um fundo eleitoral de cerca de R$ 2 bilhões para bancar a campanha dos candidatos na disputa do ano que vem.

Pelo texto aprovado, é "vedada a veiculação de qualquer propaganda paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos". Essa alternativa é permitida apenas quando o autor for identificado e se o serviço for contratado por partidos, coligações, candidatos e representantes. O provedor deve manter canal de comunicação com os usuários e pode ser responsabilizado por danos causados pela publicação impulsionada se houver decisão judicial pela retirada e ela não for cumprida.

No caso de telemarketing, os parlamentares permitiram o uso desse instrumento, mas proibiram a contratação de empresas e o uso de gravações. Ou seja, os candidatos que quiserem pedir votos por telefone terão que contatar os eleitores ao vivo, ou usando voluntários, desde que observado o intervalo das 9 horas às 20 horas, de segunda-feira a sábado, identificada a origem do contato e o motivo da ligação. Atualmente, a propaganda eleitoral via telemarketing é proibida em qualquer horário.
As novidades ampliam os instrumentos de divulgação para as campanhas em relação aos existentes hoje. Pela legislação atual, um candidato pode manter um site, desde que com endereço eletrônico informado à Justiça Eleitoral e hospedado em provedor estabelecido no Brasil. Também é permitido o envio de mensagens eletrônicas, como e-mails ou mensagens no Whatsapp, além de publicações nas redes sociais.

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), Fábio Malini, as redes sociais vêm sendo elemento relevante nas eleições em diversos países como Espanha, Reino Unido e Estados Unidos e não será diferente no Brasil em 2018. Com a possibilidade de impulsionamento de conteúdo aberta pela reforma eleitoral, os candidatos poderão manter estratégias de propaganda mais sofisticadas.

"O papel mais central das redes sociais será a direção exata da propaganda política que não se tinha antes. Mesmo com ambiente digital, se partia do pressuposto de que o usuário tinha que ir até a página, fazer a busca. Pela primeira vez vai se poder trabalhar uma propaganda para um território, faixa etária, profissão. Essa experiência de ir no foco publicitário é algo que a gente vai ter de forma forte nas próximas eleições", destaca Malini.

Leilão - Na avaliação do professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, a medida é problemática porque beneficia candidaturas com mais recursos. Para além do impulsionamento implicar gastos, estes vão se tornar cada vez maiores, aumentando o obstáculo financeiro dos candidatos com menos estrutura. Isso porque o impulsionamento se dá pela forma de "leilão". Ou seja, o preço para conseguir ampliar o alcance de um "post" aumenta conforme a demanda. Em uma eleição, com diversos candidatos tendo apenas o Facebook como canal pago na internet, a tendência é que esse custo seja cada vez maior.

"A postagem de um candidato com menos dinheiro vai atingir menos de 1% dos seus seguidores, enquanto candidatos com muito dinheiro e que já aplicam no Facebook vão poder fazer uma campanha de maior alcance, o que dará uma visão distorcida", argumenta o professor, que também é membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-Br).

Fonte: Bem Paraná
Foto: Reprodução

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