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Máquina da John Deere que mudou setor de construção faz 50 anos

Publicado em: 07/11/2017 05:22

No fim dos anos 1960 e ao longo de toda a década seguinte, o setor de construção e infraestrutura passou por uma expansão vigorosa em todo o mundo. Grandes obras públicas foram executadas na época, aquecendo o setor de engenharia e arquitetura e exigindo operações cada vez mais eficientes e racionalizadas. É nesse cenário que ocorreu o lançamento da motoniveladora JD570, da John Deere, máquina que foi um verdadeiro divisor de águas no segmento - ou divisor de terras, para usar um termo mais apropriado.

"Embora muitas vezes nos concentremos no presente e no futuro dos equipamentos, queríamos também homenagear o modelo JD570 e o papel que desempenhou na evolução da motoniveladora", afirma Luke Kurth, gerente de marketing de produtos de construção & florestal da John Deere. "O modelo JD570 é um verdadeiro testemunho de inovação e durabilidade, e podemos agradecer a ele por muitas das características que hoje vemos nas nossas motoniveladoras Série G", explica.

As motoniveladoras são equipamentos versáteis, utilizadas na execução de diversas tarefas importantes dentro da obra, como definição final das cotas de um projeto de terraplenagem, compactação de aterro e acabamento de taludes (terrenos inclinados). "A relevância desses trabalhos torna essa máquina uma das mais importantes da construção", afirma a coordenadora do curso de engenharia civil da Universidade Anhanguera de Guarulhos, Elizabeth Braga.

Em sua chegada ao mercado, há exatos 50 anos, a JD570 introduziu inovações que ainda estão presentes nos modelos atuais de motoniveladoras. O equipamento de 1967 foi, por exemplo, o primeiro a ter direção por chassi articulado e funções controladas hidraulicamente, além de apresentar uma estrutura protetora contra capotamentos. Também foi dedicado um enorme esforço ao projeto e desenvolvimento da sela da JD570. O resultado foi um projeto que permitia ao operador colocar a lâmina em ângulo de 90 graus, ou em qualquer outra inclinação, em menos de um minuto. A sela foi fixada à estrutura principal por meio de um exclusivo projeto de pino cônico - pioneiro da indústria de motoniveladoras - e acoplada por pressão hidráulica.

Até então, as motoniveladoras disponíveis no mercado eram fabricadas apenas com chassi rígido. Geralmente, apresentavam somente direção de eixo dianteiro, o que limitava as manobras durante as operações nos canteiros de obras. A JD570, no entanto, trouxe como novidade o chassi articulado, que permite maior mobilidade sobre o terreno, principalmente em áreas confinadas.

"Foi uma inovação muito importante no segmento e que trouxe melhores resultados aos trabalhos de desagregação e nivelamento do solo", afirma o professor da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Nove de Julho (Uninove) William Gladstone de Freitas Machado.

Ele afirma que, além de força e tração, o serviço executado pelas motoniveladoras exige agilidade. "O desafio dessas máquinas é enfrentar trechos inclinados, grandes aclives e declives, valas, às vezes com solo muito duro", diz o professor. Daí a necessidade de o equipamento apresentar boa manobrabilidade.

A JD570 permaneceu em produção até 1971, quando o modelo foi atualizado para a Série A. A configuração do trem de força tornou-se a base das motoniveladoras da John Deere até 1997. O pioneirismo da máquina lançada em 1967, contudo, segue influenciando o segmento de motoniveladoras até hoje.

As mais recentes inovações passam pelo maior volume de tecnologia embarcada, com monitores que permitem mais eficiência no acompanhamento das funções da máquina e das operações, além de maior visibilidade e conforto. "As motoniveladoras se tornaram ainda mais seguras e dão melhores condições de trabalho ao operador", afirma Freitas.

A versatilidade desse tipo de equipamento tem ficado ainda mais evidente ao longo dos anos. Com papel consolidado na construção, as motoniveladoras têm ampliado sua participação no setor agrícola. Além de atuar na construção de vias de acesso no campo, para escoamento da produção, essas máquinas também vêm conferindo mais agilidade e eficiência ao preparo de áreas de plantio e à construção de curvas de nível, utilizadas para evitar erosão do solo, por exemplo. "Elas são uma alternativa em projetos agrícolas mais profissionalizados, que buscam maior competitividade", diz o professor da Uninove.

Fonte: Exame
Foto: John Deere/Divulgação

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