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Bandeira alemã com mais de 100 anos é encontrada em Blumenau

Publicado em: 20/11/2017 06:41

Poucos poderiam imaginar que um quadro antigo pendurado como decoração na sala de uma casa nos rincões do bairro Velha Central, em Blumenau, guardasse algum valor histórico. Estava lá, herdada de um primo que foi morar em São Paulo e quase jogou a peça no lixo com outros pertences que não lhe serviam mais. Na realidade, trata-se de uma bandeira alemã da época da Revolta dos Boxers, guerra que ocorreu na China no ano de 1900. Uma relíquia, segundo especialistas.

Faz aproximadamente um ano que o professor Jules Soto, do Instituto Cultural Soto, de Itajaí, veio a Blumenau para comprar antiguidades de uma família. Máquinas de costura estavam à venda, mas o quadro na parede o deixou intrigado. Reconheceu na peça bandeiras de marinhas de vários países, entre eles Alemanha e Japão, e se perguntou "que aliança era essa?". Mesmo sem saber exatamente do que se tratava, comprou o quadro cujo tecido estava em base de madeira devorada pelos cupins e começou a pesquisar.

Material raro

A peça estava em péssimo estado de conservação e passou por um restauro. Só então foi possível identificar melhor o que nela estava escrito em alemão. "Em memória ao meu tempo de serviço", "1898 - 1901", "Da rocha ao mar", "Alemanha-China" e "Soldado J. Van" seguido de algo que não se pode mais ler. Em destaque, ao centro, o antigo brasão da Marinha alemã com quatro bandeiras em cada lado.

Fotos da peça foram enviadas a dois curadores de museus na Alemanha e veio deles a confirmação de que se tratava de uma rara bandeira da época da Revolta dos Boxers. Pouco material há desse conflito, segundo eles. Para nossa sorte, a partir do próximo mês a bandeira estará em exposição no Centro Cultural da Marinha em Florianópolis, para acesso público e gratuito.

História ignorada

O professor Jules diz que pouco conseguiu resgatar da história dessa bandeira. Tudo o que o vendedor contou foi que ela estava com um primo que se mudou para São Paulo nos anos 1980. A bandeira teria pertencido a um tio-avô alemão que serviu na Marinha do país natal. Ele morou em Blumenau até a década de 1950, quando morreu.

Curador do Instituto Soto, Jules diz que o episódio serve para mostrar que nossos antepassados para cá vieram carregados de história e que muitas vezes esse patrimônio é esquecido como se pouco fosse. Dá pra imaginar quantas preciosidades temos guardadas em baús fechados em sótãos e porões do nosso Vale. Uma pesquisa aprofundada seria bem-vinda.

Fonte: Diário Catarinense
Foto: Jules Soto / Divulgação

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