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O que queríamos dizer aos extraterrestres há 40 anos?

Publicado em: 27/11/2017 06:18

Há 40 anos, a humanidade enviou uma referência do que somos ao espaço, na esperança de que possa ser encontrado por outra civilização: em dois discos dourados, cientistas reuniram um pouco do que é a Terra, o ser humano e a nossa sociedade.

O que queríamos falar para os extraterrestres naquela época?

A música "Johnny B. Goode" de Chuck Berry, o barulho da chuva, a imagem de uma mulher amamentando o seu filho, a foto de uma sala de aula. A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, enviou 27 músicas (90 minutos), 21 sons do planeta e 115 imagens em duas naves, cada uma com uma edição do "Voyager Golden Record", o disco com os registros sobre a vida na Terra.

Essas duas "cápsulas do tempo" foram colocadas a bordo das missões Voyager 1 e 2, lançadas em 1977. A ideia principal dessas sondas, no começo, era estudar Júpiter e Saturno. Depois, ocorreram as explorações de Urano, Netuno e Plutão. Os objetivos de pesquisa dentro do Sistema Solar foram atingidos até 1990 e, então, as naves ultrapassaram a fronteira para viajar a outras partes do universo.

O conteúdo dos discos foi selecionado por um comitê presidido por Carl Sagan, astrônomo e autor de conhecido livro sobre a Terra, onde a descreve como um "Pálido ponto azul". As imagens de um astronauta no espaço, de uma partitura de violino, de uma mulher olhando um microscópio, e de um homem da Guatemala também estavam entre as fotos anexadas de forma analógica.

"A nave será encontrada e o disco será tocado apenas se existirem civilizações avançadas no espaço interestelar", declarou Carl Sagan.

Entre os sons do planeta, estavam os ruídos do vento e da chuva, uma risada, o código morse e o estralar de um beijo. O choro de um bebê, o canto dos pássaros e o barulho de um trem passando. Tudo estava na parte "The Sounds of Earth" (Os Sons da Terra, em inglês), do Voyager Golden Record.

Há, ainda, seleções musicais de diferentes culturas e eras: a música japonesa "Tsuru No Sugomori", de Goro Yamaguchi; a "Melancholy Blues", de Louis Armstrong; composições de Bach, Beethoven e Mozart.

Há rumores de que a música "Here comes the sun" foi uma sugestão, mas que os Beatles não cederam os direitos para incluir no projeto da Nasa. Em artigo publicado pela revista "The New Yorker" neste ano, Timothy Ferris, que participou da produção dos discos ao lado de Sagan, diz que "não houve um esforço" para incluir a música.

"Não é a música mais forte dos Beatles, e o misticismo da canção, mesmo que charmoso a curto prazo, parecia improvável que perdurasse por bilhões de anos", escreveu.

Foram incluídas saudações de pessoas em 55 línguas e mensagem impressas do presidente dos Estados Unidos na época, Jimmy Carter, e do secretário-geral da ONU, Kurt Waldheim.

"Como secretário-geral da ONU, uma organização com 147 estados membros que representam quase todos os habitantes humanos da Terra, envio saudações em nome das pessoas do nosso planeta. Saímos do nosso Sistema Solar para o universo, buscamos apenas paz e amizade", disse o texto de Waldheim.

Entre as saudações, estava uma particularmente simpática em chinês: "Amigos do espaço, como vocês estão? Vocês já comeram? Venham nos visitar se tiverem tempo".

Mas, sem toca-discos, como os extraterrestres iriam ouvir as músicas e os sons? Cada registro foi fechado em um compartimento de alumínio, junto com um cartucho e uma agulha. Símbolos na frente dos discos explicam a origem e como as gravações devem ser tocadas.

Cada "Voyager Golden Record" foi feito de uma placa de cobre banhada a ouro. Uma amostra ultra pura de urânio-238 foi cravada na capa. Como o urânio-238 tem meia-vida de 4,5 bilhões de anos, os E.T.s que encontrarem o material podem calcular a idade da descoberta.

Anos antes das missões Voyager, em 1972 e 1973, outras duas placas metálicas também foram lançadas com mensagens da Terra.

As placas Pioneer, enviadas com as naves Pioneer 10 e Pioneer 11, eram feitas de uma liga de alumínio e ouro. Elas mostravam desenhos de seres humanos e símbolos com informações sobre a origem da nave, no caso, a Terra.

A Nasa recebeu algumas críticas devido à nudez nessas placas. Por isso, mais tarde, Sagan foi proibido de enviar fotos de seres humanos nus nos discos das missões Voyager - apenas uma silhueta foi incluída.

Fonte: G1 Globo
Foto: UN/DPI Photo/Nasa

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