PatoBranco.com

'Eu vou pular! Eu vou pular!', gritou operário preso em andaime durante temporal

Publicado em: 11/02/2018 10:20

O temporal ainda parecia distante no horizonte quando os operários da construção civil Alex Sandro da Silva, 25 anos, e Cristian Zander Dutra, 24, rebocavam a parede do sexto andar no prédio do Ministério Público Federal (MPF), na Avenida Júlio de Castilhos, centro de Porto Alegre, na tarde da última sexta-feira (9). Por segurança, os colegas decidiram interromper o serviço, erguer o jaú (andaime) para guardá-lo no topo do edifício e fazer a pausa do café. Na altura do nono andar, teve início o pesadelo, gravado em um vídeo que viralizou nas redes sociais.

Passava das 16h quando uma forte rajada de vento fez com que o equipamento girasse duas vezes, trançando os cabos que o mantinham suspenso e impossibilitando que os funcionários o movessem para cima ou para baixo.

- Aí fechou o tempo. Começou a piorar, piorar. Começamos a voar. Eu fiz muita força - recorda Alex, morador de São Leopoldo, que sofreu escoriações leves e reclamava de dores nos braços na tarde deste sábado (10), durante a entrevista a GaúchaZH.

A tempestade avançou rápido e com violência, e pelos minutos seguintes os dois trabalhadores fizeram o possível para tentar estabilizar o andaime e assegurar sua sobrevivência. Funcionários da Construtec, ambos usavam acessórios de segurança - cinto, capacete, óculos e luvas -, alguns arrancados pelo vento. Eles se seguravam em uma corda e em um duto utilizado para descarregar a sujeira da obra até o chão. Alex pedia calma ao colega, paralisado de horror.

- Cristian, olha para mim, Cristian! Calma, pelo amor de Deus! Segura na corda! Eu não vou largar. Pode deixar que eu não vou largar, vou fazer toda a força!

- Pelo amor de Deus, cara, não solta! - implorava Cristian.

Alex rezava, rogando para que pudesse ver o filho, Rennan Augusto, de um ano e cinco meses, pelo menos mais uma vez. "Nós dois apavorados não vai dar certo. Eu não vou conseguir raciocinar", pensou. Cristian pedia perdão a Deus e proteção a sua família e a seus amigos.

- Senti que tinha acabado o mundo para mim. Achei que tinha chegado minha hora. Achei que ia morrer - lembrou Cristian, de Canoas, que teve arranhões e sente dores no peito.





Fonte: Diário Catarinense
Foto: Facebook / Reprodução / Reprodução

Foto

Notícias Relacionadas