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Autódromo de Cascavel pode ser inviabilizado devido a impasses na pista de acesso à BR 277

Publicado em: 10/05/2018 06:18

O autódromo de Cascavel foi inaugurado em 1970 e 42 anos depois o espaço foi reinaugurado com investimento de 10 milhões de reais. Os trabalhos que foram feitos na pista e na área de box inicialmente chamaram a atenção. O que ninguém imaginava é que 6 anos após a revitalização a estrutura apresentasse grandes avarias e colocasse medo em muita gente.

Um engenheiro foi convidado pela nossa equipe para conhecer de perto a estrutura. Ficou surpreso com o que viu. No chão a compactação apresenta problemas e é possível notar afundamento do piso em vários pontos. Nas paredes e nas lages a carbonatação, provocada pela infiltração de água, está espalhada por todos os lados. A estrutura pré-moldada tem defeitos na montagem das peças.

Ele nos mostrou que a infiltração de água é responsável por grande parte dos problemas encontrado no Zilmar Beux. Na sala de transmissão encontramos um bloco completamente solto, com aparente risco de queda. A mesma água que entra aqui, entra também na sala de cronometragem e cabine da direção de prova. Segundo o engenheiro só há duas possibilidades de corrigir essa infiltração: cobrindo totalmente a estrutura ou fazendo a impermeabilização do local, que seria muito mais caro.

Na parte de baixo, mais precariedade. Algumas portas entortaram. Outras foram amarradas com cordas para não cair, ou escoradas com tubos de ferro. Portões que na visão do especialista deveriam estar fechados e acessado por uma porta de pedestre, quando necessário. Vários conduítes de eletricidade já estão detonados e os fios expostos. Por falar em eletricidade, a infiltração ainda causa uma combinação perigosa.

Assim que o autódromo foi entregue em 2012, a gestão passada prometeu que até o fim de 2016, essa área estaria coberta. Seriam necessário mais R$ 2,8 milhões para a conclusão do espaço. Mas a promessa está engaveta até hoje. A explicação foi de que houve um erro financeiro no projeto, que não previu a parte principal da obra: a cobertura. O estudo foi refeito e a correção também, mas não teria dado tempo para iniciar os serviços. A conversa é de que existe sim o projeto pronto e dinheiro em caixa para a execução. O novo Secretário de Esporte e Cultura de Cascavel, desconhece esse projeto.

De agosto de 2012 até agora várias pinturas foram feitas. A mesma intervenção deverá acontecer para receber a Stock Car em setembro. Já que não há previsão de conclusão do espaço, por enquanto.

Uma das maiores polêmicas do Autódromo de Cascavel está justamente nessa área, no passado a prefeitura depositou R$ 267 mil para desapropriação deste espaço, porque da acesso aos boxes. No entanto há um desinteresse na Prefeitura de Cascavel que não quer mais essa área que deve ser devolvida ao Autódromo S/A um grupo de administradores o que pode inviabilizar o Autódromo de Cascavel.

O Procurador Geral do Município nos mostrou o decreto de desapropriação. O lote em questão tem 2.255 metros quadrados. Segundo ele a devolução ainda não foi concretizada, mas está próxima de acontecer.

Quando foi entregue a reforma geral em 2012 a Stock Car exigiu que este corredor de acesso à BR 277 continuasse aberto para que acontecesse de maneira rápida a saída de oficiais de Corpo de Bombeiros e também de ambulância. Se a área for devolvida a volta seria muito grande, porque a ambulância teria que chegar até a trincheira e depois atravessar a BR 277 e isso na visão de especialistas poderia inviabilizar o autódromo.

Uma avaliação judicial determinou que o lote tem valor de mercado de aproximadamente 800 mil reais, mas Braga Cortes garante que o valor financeiro da desapropriação não é o entrave do negócio.

Quem vive o automobilismo teria uma saída talvez mais viável para a prefeitura, que precisa do lote do corredor de acesso ao túnel. Permutar com esse outro lote, que é do município, e que fica ao lado do último portão de entrada. A rua por onde passam os caminhões não seria prejudicada e se no futuro o setor público precisar de um espaço igual, teria mais 70 metros de frente do terreno ao lado, que também é do executivo. Essa semana haverá uma reunião para tratar do autódromo e essa possibilidade será levada em pauta.

E os entraves não param por aí. Recentemente a prefeito fez o alargamento de uma rua lateral do autódromo para facilitar o acesso às empresas da região. Parte do terreno do autódromo foi invadido. A cerca foi derrubada e não levantaram ainda. Para acessar as arquibancada uma nova passagem deverá ser construída. Isso se a caixa d água não ficar no meio do caminho, impedindo o tráfego.

Na antiga área de box a ideia era recuperar o espaço e criar um museu histórico do automobilismo cascavelense. Mas de velho mesmo são pneus e resíduos sólidos. Atrás dos boxes antigos tem mais lixo.

A falta de zelo no Autódromo de Cascavel é visível por vários aspectos. Mato que cresce ao entorno da pista e também nos boxes. Fios da sinalização aérea cortados e canalização da água da chuva improvisada. A falta de manutenção pode comprometer até mesmo a emissão do certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros, que vence no mês de agosto e que obrigatoriamente deverá ser renovado para grandes eventos. Menos mal que, pelo menos a pista de 3.032 metros quadrados não trás observações tão preocupantes quanto à estrutura geral do autódromo. As únicas correções seriam das zebras e de uma drenagem na antiga curva da reta de chegada.

Fonte: CatvE.com
Foto: CatvE.com

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