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Município realiza encontro em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Publicado em: 21/05/2018 18:14

O Município de Pato Branco, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, juntamente com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDDCA), realizou durante a sexta-feira, dia 18, uma atividade da Campanha "Faça Bonito", promovida com o intuito de combater o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. No encontro, que contou com a presença de mais de 300 pessoas, foi promovida uma mesa redonda com o tema: "desafios para a rede de atendimento na busca de garantias dos direitos de crianças e adolescentes em situação de violência".

Para debater o assunto, foram convidados a juíza da Vara da Infância e Juventude, Franciele Estela Albergoni de Souza Vairich, o promotor da Vara da Infância e Juventude, Raphael Adalberto Soares, a psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Marina Particheli, a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Sarah Kusma da Luz, a psicóloga do Serviço de Auxilio à Infância (SAI), Élina Cristina Urzulin Rocha e o conselheiro tutelar, Renato Gardasz.

O prefeito de Pato Branco, Augustinho Zucchi, afirmou que a organização de campanhas como o "Faça Bonito" são importantes para a conscientização e engajamento da sociedade. "Para enfrentar um problema tão complexo, é necessário unir forças, buscar apoio e criar uma rede de proteção para as nossas crianças, combatendo esse mal e realizando mudanças de comportamento", ressaltou Zucchi.

A secretária de Assistência Social, Anne Cristine Gomes da Silva, disse que a luta pelo bem-estar das crianças e adolescentes é constante. "Além das pessoas de nossa comunidade e das entidades que se dedicam a combater estes agressores, nossas secretarias municipais também atuam de forma colaborativa, principalmente a Secretaria de Educação e Cultura, juntamente com as educadoras, e a Secretaria de Saúde. Todos estão comprometidos em discutir, sensibilizar e cuidar as nossas crianças", destacou.

Ela explica, ainda, que as ações ocorrem durante todo o ano, mas o mês de maio e, principalmente o dia 18, desde o ano 2000, possui engajamento nacional e a realização de diversas atividades e encontros em todo o Brasil. A data simbólica foi escolhida para lembrar o dia em que Araceli Cabrera Crespo desapareceu, em 1973, com 8 anos de idade, na cidade de Vitória, no Espírito Santo, no caminho da escola para sua casa. Dias depois, seu corpo foi encontrado e comprovou-se que ela havia sido drogada e estuprada.

Rede de acolhimento

"Nossa luta é para que esta história não se repita e para que nossas crianças não se calem, diante de abusos. Que procurem uma pessoa de sua confiança para conversar, por isso, este ano, estamos utilizando como apoio os materiais disponibilizados pelo Governo do Estado do Paraná, que tem como tema "não engula o choro", incentivando as crianças a chorarem e contarem sua história para alguém", informou Anne.

Para o vereador Rodrigo Correa, que no ato representou a Câmara de Vereadores, é preciso união da comunidade para o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. "É inadmissível que este tipo de crime continue, principalmente, sem punição, tendo em vista que muitas vezes os agressores pertencem ao núcleo familiar. Por isso, é fundamental a denúncia, é nosso dever proteger todas as crianças", pediu Rodrigo.

O promotor da Vara da Infância e Juventude, Raphael Adalberto Soares, afirma que o número de crianças e adolescentes vítimas de algum tipo de violência é bastante expressivo. "Precisamos criar formas para enfrentarmos o problema, fazendo o diagnóstico, trabalhando as famílias, as vítimas e fortalecendo a rede e os órgãos que atendem. Porque é um tipo de violência muito delicado, revoltante e desgastante para quem atende", disse.

Para ele, eventos como o encontro da Campanha "Faça Bonito", servem para unir forças, mostrar que há engajamento social, trocar ideias, experiências e discutir como é possível melhorar o atendimento. "Tudo isso é fundamental, porque nesses casos, tão logo se tenha indícios e provas suficientes, é necessário adotar um procedimento rápido, sem expor a vítima e tomando cuidados para não adotar medidas em que, futuramente, não se possa desfazer ou voltar atrás, pois pode ser que a denúncia não se comprove, então é um trabalho muito delicado", ressaltou Raphael.

A psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Marina Particheli, conta que a criança ou adolescente chega à unidade, normalmente, encaminhada pelo Conselho Tutelar e, a partir disso, os profissionais do local fazem o acompanhamento individual da criança, com escuta especializada, entrevista com o responsável e visita social para poder conhecer a realidade dela em casa. "Realizamos um trabalho psicossocial em relação à criança e a família, avaliando a situação de risco e a rede de proteção da vítima, se está funcionando ou não, e quais os encaminhamentos são necessários", explicou Marina.

A estrutura do CREAS em Pato Branco conta com psicólogos, educadores sociais, assistentes sociais, advogado e equipe de apoio, com coordenadores, auxiliares administrativos e motoristas. A psicóloga Marina atua no local há dez anos e contou que constatou um aumento nos atendimentos. "Acreditamos que isso se deve por conta desse trabalho de divulgação, incentivando a denúncia. Percebemos que as campanhas têm efeito, que as pessoas atendidas repassam informações para outras pessoas e que a mídia também tem abordado o assunto. Com isso, as crianças estão se sentindo mais acolhidas, principalmente, nas escolas que é um dos locais que se discute bastante o assunto", informou a psicóloga.

Atualmente, ela informa que o CREAS está realizando o acompanhamento de 145 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes e outros 350 casos que envolvem outros tipos de violência, como psicológica, física, abandono e negligência. De acordo com Marina, cada caso possui um encaminhamento, buscando sempre proteger a vítima.

"Depende bastante de quem é o agressor, mas em alguns casos a criança ou adolescente pode ser entregue para algum familiar que possa realizar o acolhimento, caso agressor seja retirado da convivência familiar, ela pode continuar em casa e, em alguns casos ela é enviada para acolhimento institucional", contou Marina.

Não Engula o Choro

Os materiais da campanha "Não Engula o Choro", utilizados durante o mês de enfrentamento da violência, foram produzidos por meio da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, do Governo do Estado do Paraná. As cartilhas, cartazes e os vídeos, com desenhos coloridos, feitos com animação, música agradável e linguagem simbólica, foram idealizados pensando nas crianças, buscando fazer com elas contem a alguém as situações de violência que estão vivendo.

De acordo matéria publicada no portal do Governo do Estado, a campanha "atravessou os limites do Paraná e conquistou o engajamento de entidades sociais e integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente de outros estados. Personalidades artísticas e profissionais liberais, principalmente da área de psicologia, também têm contribuído para ampliar a divulgação". A página cita adeptos da campanha, entre eles, a apresentadora Eliana, a cantora Fafá de Belém, as atrizes Luana Piovani e Luiza Brunet e a atleta Hortência Marcari que, através de suas redes sociais, manifestaram apoio e pediram o compartilhamento dos vídeos.

De acordo com a matéria, pela internet, as duas animações que incentivam crianças a se expressarem e buscarem ajuda, quando algo está errado, já alcançaram mais de 1,3 milhão de visualizações e foram compartilhadas 21 mil vezes, nas duas primeiras semanas de divulgação. Uma única postagem em rede social recebeu mais de 1.600 comentários e, em outra, mais de 35 mil curtidas. Em um canal da Internet, específico para crianças, em três dias, foram 266 mil visualizações. Sem contar os compartilhamentos por aplicativo de mensagem.

Denuncie

Qualquer pessoa pode denunciar os crimes de violência contra crianças e adolescentes, no Paraná, o número de telefone é o 181. O registro também pode ser feito junto ao Conselho Tutelar, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).

Mais informações

Para mais informações sobre a Campanha "Faça Bonito", sobre os materiais da Campanha "Não Engula o Choro" ou sobre ações desenvolvidas para o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, basta ir até a Secretaria Municipal de Assistência Social, na Rua Teófilo Augusto Loiola, 256, Bairro Sambugaro, ou entrar em contato pelo telefone (46) 3225-5544.

Assessoria da Prefeitura de Pato Branco com informações da página: www.desenvolvimentosocial.pr.gov.br.

Fonte: Departamento de Comunicação Social do Município de Pato Branco
Foto: Assessoria de Imprensa

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