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Paraná é o quarto estado com mais armas registradas por cidadãos

Publicado em: 31/07/2018 08:58

O Paraná é um dos estados brasileiros com mais armas registradas por pessoas físicas junto à Polícia Federal (PF). Em 2017, eram 31.380 registros ativos, o que coloca o estado em quarto lugar no ranking, atrás apenas do Rio Grande do Sul (52.909), São Paulo (48.487) e Santa Catarina (33.392).

O resultado representa um salto de uma posição na lista. Até 2016, Minas Gerais ocupava a quarta posição, com 29.726 registros, e o Paraná vinha em seguida, com 29.370. Em Minas Gerais, porém, o número de armas de fogo registradas por cidadãos caiu 0,8% entre 2016 e 2017. No mesmo período, o número de registros no Paraná aumentou 6,8%.

O número de armas registradas em nomes de pessoas físicas, hoje, também representa um crescimento de 27% em relação a 2014, quando havia 24.692 registros ativos no Paraná. O aumento foi maior do que o índice nacional - em todo o Brasil, os registros cresceram 17,8%, de 279.026 em 2014 para 328.893 em 2017.

No Paraná, em 2014, o número de registros em nome de pessoas físicas representava 58% do total do estado (42.558), participação que aumentou para 61% em 2017.

Crescimento acelerado
Os dados foram obtidos pelo Instituto Sou da Paz por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Eles também mostram que número de novos registros de arma de fogo para pessoas físicas realizados, por ano, pela PF, em todo o Brasil, cresceu cerca de oito vezes em dez anos.

Em 2007, foram registradas 3.901 novas armas para pessoas físicas e, em 2017, foram 33.031. Os valores representam um crescimento de cerca de 744,7% no período. No total, em 2017, o Brasil tinha 328.893 armas registradas em nome de pessoas físicas.

Discurso do armamento
Segundo a coordenadora de Projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, depois da instituição do Estatuto do Desarmamento, em 2003, não houve mudanças normativas para a obtenção de armas. Por isso, uma das possíveis causas do crescimento do número de registros é a difusão de um discurso favorável ao armamento.

"É um discurso muito fácil, mas também um tanto desonesto, de que o cidadão armado está seguro e isso resolveria todos os problemas em segurança pública, quando o que a gente vê é exatamente uma realidade inversa", explica. Segundo ela, quando armados, os cidadãos costumam se expor a mais riscos.

Ainda segundo Natália, os dados da PF indicam um salto no número de novos registros a partir de 2007. Até aquele ano, o número era estável - houve, inclusive, uma queda de 18% entre 2006 e 2007, de 4.775 para 3.910 registros. Porém, em 2008, os registros saltaram 60%, para 6.260, e o crescimento segue constante desde então. Outro salto veio de 2010 para 2011, quando o número cresceu 27%, de 11.874 para 15.192 registros.

Para Natália, a internet e a popularização das redes sociais, neste período, influenciaram os resultados. "Tem uma disseminação maior de grupos que estimulam as pessoas ou ensinam às pessoas os caminhos mais fáceis para obter armas de fogo legalmente. Essa disseminação de informações pela internet facilita a popularização dessa impressão de que a arma traz segurança", lamenta.

Natália cita o estudo Também morre quem atira, realizado em São Paulo, em 1998, antes do Estatuto do Desarmamento - quando era mais fácil obter uma arma legalizada. A pesquisa mostrou que quem possui arma de fogo tem 56% mais chances de ser morto em situação de roubo. As vítimas armadas conseguiram evitar o roubo em apenas 13,8% dos casos analisados - e em 57,1% destes casos as vítimas eram policiais.

"Esse dado inclui profissionais de segurança pública. Se a gente tirar os profissionais de segurança, essa proporção é ainda maior. A grande maioria dos policiais morrem na folga. A dificuldade de reagir é grande, as pessoas subestimam o fator surpresa", explica Natália.

Situações de risco
Mas há outros fatores que precisam de atenção na hora de optar pelo armamento. "As pessoas só pensam na arma no contexto de um crime, mas ter uma arma expõe a pessoa a uma série de outros riscos", explica Natália.

Entre eles, estão desde o uso da arma em momentos de descontrole emocional - como uma briga de trânsito ou familiar - ao suicídio. "A presença da arma de fogo facilita muito o cometimento de suicídios, não só do proprietário, mas de todos que podem ter acesso a essa arma", afirma a coordenadora.

Há, ainda, o risco de roubo da arma. "As pessoas deixam de considerar que a arma é um dos objetos mais desejados pelas pessoas que já estão cometendo crime", alerta. "É um dano coletivo, não recai somente sobre o proprietário".

Natália afirma que o Instituto Sou da Paz não é contra a posse de arma em qualquer circunstância, mas, sim, a favor de um uso consciente. "A gente alerta que a posse para a defesa pessoal, segundo as estatísticas e relatórios científicos que existem, é uma má ideia. Não te deixa mais seguro", explica.

Fonte: Paraná Portal
Foto: Pixabay

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