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10 de Setembro - Dia Mundial da prevenção do suicídio

Publicado em: 10/09/2018 07:47

Nesta segunda-feira (10) entidades de diversos países do mundo promovem atividades e ações para marcar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A data foi instituída em 2003 pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio para promover o debate, a reflexão e a implementação de ações estratégias para prevenção do suicídio.

Segundo a OMS, a cada ano, 1 milhão de pessoas tiram a própria vida, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, o mesmo que uma morte a cada 40 segundos. O órgão estima que esse número pode dobrar até 2020. No Brasil, 1 suicídio é registrado a cada 45 minutos, o que equivale a 32 por dia, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

"O suicídio é uma tragédia global, pessoal e também familiar. Uma tragédia silenciosa que, muitas vezes, é uma denúncia de uma crise coletiva. Toda morte fala algo da sociedade em que ela ocorre. Por isso, precisamos pensar o suicídio como problema de saúde pública e em criar políticas públicas que atendam essa demanda". Assim foi a fala da conselheira Rosane Granzotto, que representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) na audiência pública realizada na última segunda-feira (3) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

A audiência teve o objetivo de discutir sobre o aumento de suicídios no Brasil e quais políticas públicas são necessárias para combater esse quadro. O evento teve também a participação de representantes do CVV (Centro de Valorização à Vida), Ministério da Saúde e da TV Brasil.

A assessora técnica Cinthia Lociks de Araújo, da Secretaria de Atenção em Saúde do Ministério da Saúde, disse na audiência que apesar dos números do Brasil serem considerados baixos se comparados ao resto do mundo, eles eles vem crescendo, enquanto estão caindo em outros países.

REFLEXÃO

Rosane Granzotto, do CFP, apontou dados do suicídio e sua correlação com outros fatores sociais, econômicos e culturais. Segundo ela, nos últimos 40 anos, houve um aumento de 60% em mortes por suicídio no mundo, as quais não podem ser relacionadas apenas a fatores psicológicos.

"Trata-se de um dado impressionante e que precisa ser explicado não apenas em termos psicológicos, mas também sociais. Faz-se necessário refletir sobre esses dados. Trata-se naturalmente de um processo muito complicado que não pode ser reduzido a linhas de determinação simples. Existe uma questão multifatorial que causa esses números", reforça.

Granzotto explica que, além dos fatores endógenos, tem que se admitir que um aumento de 27,2% dos casos de suicídio, entre 1980 e 2014, implica em considerar também os fatores socioeconômicos e culturais vivenciados pelos sujeitos contemporâneos, citando o capitalismo, a competição e a perda dos vínculos afetivos. "Os vínculos afetivos e humanizados vão se tornando cada vez mais frágeis. A falta de referências nos deixa a deriva, pois tudo é passageiro e substituível e nós também somos. Estamos em um mundo onde sequer somos vistos, pois estamos atrás de um aparelho nos comunicando com ninguém", questiona.

A conselheira do CFP alertou ainda para as especificidades da população brasileira, como os povos indígenas, os quais registram 132% mais casos de suicídio do que na população geral, bem como a população em situação de rua, trabalhadores rurais, imigrantes, que passam por processos de desenraizamento, população LGBT, e outros.

Para Rosane, o trabalho de prevenção é fundamental, pelo fortalecimento das políticas públicas, especialmente, em saúde da família e na produção de uma rede voltada para crianças e adolescentes, considerando suas peculiaridades e necessidades, e segundo os princípios estabelecidos pelo SUS. "A capacitação dos profissionais envolvidos na prevenção ao suicídio é de suma importância, pois é necessário compreender a movimentação suicida, a ambivalência de desejos, a impulsividade, o estreitamento de possibilidades de saída da situação e os fatores de risco", ressalta.


É POSSÍVEL PREVENIR

O suicídio pode ser evitado em mais de 90% dos casos. O Setembro Amarelo é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional dos Médicos, Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, Cruz Vermelha, Centro de Valorização da Vida, Exército Brasileiro e o Ministério Público de São Paulo.

LIGUE 188

Ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, passaram a ser gratuitas em todo o país. Um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Saúde, assinado em 2017, permitiu o acesso gratuito ao serviço, prestado pelo telefone 188.

Por meio do número, pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou que correm risco de cometer suicídio conversam com voluntários da instituição e são aconselhados. Antes, o serviço era cobrado e prestado por meio do 141.

A ligação gratuita para o CVV começou a ser implantada em Santa Maria (RS), após o incêndio na boate Kiss, que matou 242 jovens. O centro existe há 55 anos e tem mais de 2 mil voluntários atuando na prevenção ao suicídio. A assistência também é prestada pessoalmente, por e-mail ou chat.

Como em qualquer outra forma de contato com o CVV, quem atende é um voluntário. Com respeito, anonimato, estrito sigilo sobre tudo que for dito e de forma gratuita.

Todos são treinados para conversar com todas as pessoa que procuram ajuda e apoio emocional.

Fonte: Redação PatoBranco.com Portal Meon - CVV - Ministério da Saúde - Conselho Federal de Psicologia
Foto: Divulgação

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