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'A falta de peritos é situação calamitosa no IC', diz o presidente do Sinpoapar

Publicado em: 25/09/2018 12:55

Quando um acidente com morte acontece; quando uma pessoa é assassinada; quando um veículo furtado ou roubado é recuperado; quando é preciso descobrir ligações e mensagens em um telefone celular. Em todas estas e em outras situações, é essencial o trabalho da perícia. No Estado do Paraná o Instituto de Criminalística - responsável por este trabalho - está presente em apenas 10 das 23 Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs) existentes. Falta efetivo, falta condição de trabalho e isso reflete diretamente no atendimento prestado à população. "A Polícia Civil tem cerca de 4 mil integrantes. A Polícia Militar cerca de 23 mil e o Instituto de Criminalística tem em atividade, 125 peritos", relata o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais e Auxiliares do Paraná (Sinpoapar), Alexandre Brondani.

"Na verdade, o quadro total é de 155 peritos, mas 30 exercem cargos administrativos ou de direção ou estão afastados por motivos de saúde e desta forma, na ativa mesmo, são 125", explica.

Com um efetivo tão baixo, é até fácil entender a demora e a precarização do atendimento. A ‘fila de espera’ para o setor de computação forense, por exemplo, é de cerca de 17 mil materiais. Para que o setor funcionasse da forma que deveria, seriam necessários 32 peritos. Hoje, 9 profissionais atuam nesta área. Outros setores, como o de química e o de balística, sendo que este é efetuado pelo IC em Curitiba, também tem grande acúmulo materiais a serem analisados.

Várias cidades - que comportariam, e mais do que isso - que realmente precisariam ter estrutura e peritos - estão desassistidas. "Por exemplo, vamos citar a região de Guarapuava, em que o perito de Guarapuava precisa se deslocar até Laranjeiras do Sul (são 112 quilômetros) para atender um acidente ou qualquer caso que precise de perícia. Se acontecer outro acidente em General Carneiro (distante de Laranjeiras do Sul 255 quilômetros), o tempo de espera pode ser de 5/6 horas até que seja possível terminar o primeiro atendimento e se deslocar para o segundo", explica. "E ainda, o perito viaja sozinho, é o único profissional da Segurança Pública que tem que se deslocar sozinho, porque não tem outra pessoa na equipe que possa acompanhar, não tem efetivo".

A situação, de acordo com Brondani, é calamitosa. "E, não é só na região centro sul do Paraná, é em todo Estado. Outro exemplo, Londrina precisa atender a cidade de Jacarezinho, também são mais de 150 quilômetros", diz. "Sem contar, que o trabalho do perito não acaba quando ele colhe o material. Tem muita coisa depois, tem toda a análise, tem o laudo".

Para o presidente do Sindicato, na atual conjuntura, o trabalho da perícia no Paraná tem feito a Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça, esperarem.

"Temos cobranças desses profissionais que dependem de laudos periciais para darem sequência a investigações e a processos e julgamentos, mas não temos para onde correr", destaca. "O trabalho do perito é muito sério e importante, não podemos errar".

Contratação
A solução para o problema, conforme Brondani, está na contratação de mais profissionais. "Se o governo nomear os 203 peritos já aprovados em concurso o problema seria solucionado", afirma. "O governo alega que não pode nomear por conta da lei de responsabilidade fiscal, mas isso não procede, porque os setores de saúde e segurança não se enquadram na LRF".

Brondani ainda explana que o governo divulga que nomeou 170 novos profissionais para a Polícia Científica no Estado, mas, destes, apenas 4 são peritos. "Com a nomeação de 203 peritos, a população poderá ser atendida da forma adequada, com equipes conseguindo fazer o rodízio necessário dos plantões e ampliando as cidades com cobertura pericial", destaca.

Estrutura
Além da falta de profissionais algumas sedes de IC existentes também precisam de investimento estrutural. "Aqui em Curitiba, por exemplo, o prédio é muito antigo e já não comporta o IC. Temos problemas estruturais também no interior".

O prédio onde funcionavam o IC e o IML de Ponta Grossa, é um bom exemplo. O local foi interditado por risco de desabamento e os dois serviços estão sendo prestados à população de forma precária, em contêineres que foram montados junto ao Hospital Regional dos Campos Gerais.

Fonte: Massa News
Foto: Ilustração/Reprodução/AEN

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